A vida com 2 bebés em casa nem sempre é fácil, sobretudo quando um dos bebés padece de agitação crónica e o outro de electricidade permanente, mas vai-se levando como se pode. As manhãs são sempre de muita confusão. O Quico acorda com o Jaime e fica com ele até a Mary Anne chegar, permitindo-me assim dormir o sono que foi ficando perdido entre as mamadas da Clarinha e as chamadas do Jaime. Quando a Mary Anne chega veste o Jaime e trata dele e tenta mantê-lo feliz e minimamente calmo, o que nem sempre é possível. Eu, do quarto, vou ouvindo uns berros de felicidade e tristeza misturados e, algumas vezes, umas batidelas na porta e umas chamadas pela mana: "bebé, bebé!!!" vai gritando ele. Geralmente a Clarinha acorda pelas 9.00 e nessa altura começa o dia. Mal saio do quarto, o Jaime quer brincar comigo e só o processo de conseguir tomar o pequeno almoço é uma aventura. Geralmente consigo sentá-lo na cadeira dele ao meu lado, na mesa, a ver uns livros ou a fazer uns desenhos (leia-se, atirar lápis pelo ar, riscar a mesa e berrar muito alto de cada vez que lhe digo para não fazer isso). A vida do Jaime é acompanhada de berros, é realmente a forma mais genuina que ele tem de exteriorizar alegrias, irritações, zangas, excitamentos. Ora são estes berros que começam a elouquecer a Clarinha que, entretanto, vai refilando na alcofa ou na cadeira porque quer colo. Tem cólicas, agitações, soluços, fome, etc. Entre mim e a Mary Anne lá vamos gerindo a coisa. Segue-se o banho da Clarinha, ao qual o Jaime assiste religiosamente espalhando todos os produtos dela pela casa. Enquanto me vê dar o banho quer similtaneamente brincar com a água, atirar a esponja e pôr sabonete nele próprio. Depois de tratada a Clarinha é a minha vez de tomar banho, o que nesta fase da minha vida passou a ser uma actividade colectiva. O Jaime não descansa enquanto não entra na casa de banho onde se delicia a abrir as cortinas da banheira para ver a água a correr, a atirar coisas para a retrete e a pôr todos os cremes e produtos que encontra. Quando consigo estar finalmente pronta entramos na fase de dar de mamar à Clarinha. Tudo se processa com o Jaiminho em cima de nós a fazer festinhas à mana, a dar-me livros e carros para eu brincar com ele e a dar berros aos ouvidos da pobre Clarinha que lá vai dando o seu melhor para levar a refeição até ao fim. Depois de tudo isto vou ao parque com o Jaime. Brincamos, corremos, saltamos até ele ficar arrumado e quando a fome, o cansaço, o calor e os mosquitos não dão mais hipóteses lá o arrasto para casa a muito custo (as pilhas da criança nunca acabam). Segue-se o almoço em simultaneo com a mamada da Clarinha. A Mary Anne trata dele e eu avanço para ela. Por vezes o Jaime zanga-se por eu não lhe dar o almoço mas a Mary Anne lá o distrai e ele aspira a refeição num segundo (fome é que nunca lhe falta). Depois do almoço, a abençoada sesta!!! É o momento do dia em que consigo ir a algum sítio, tratar de alguma coisa ou simplesmente sentar-me a ler, a fazer estes posts ou a ver televisão. Mesmo que a Clarinha não durma (o que acontece muitas vezes) posso deixá-la com a Mary Anne e sair um bocadinho de casa. A parte da tarde é a altura mais dura do dia. A Clara já está cansada, rabujenta de não conseguir dormir e a querer calma e silêncio. O Jaime, ao contrário está descansadinho, cheio de energia e absolutamente imparável. É dificil dizer a uma criança de 18 meses para não berrar ou para não incomodar a irmã e, de cada vez que se tenta, a reacção que se consegue é exactamente a oposta. Assim, vai-se tentado sobreviver a estas tardes da melhor maneira possível. O calor é tanto que não dá para ir para o parque a tarde toda e, por outro lado, eu tenho que estar em casa às horas de dar de mamar. Há assim 2 ou 3 horas em que estou com os dois em casa, a brincar com o Jaime e a acalmar a Clarinha. Há dias em que tudo corre bem, há outros em que tudo corre mal... faz parte. Depois da ida de fim de tarde ao parque, comigo ou com a Mary Anne, é hora do banho e jantar do Jaime. Geralmente o Quico entra aqui em cena. Chega a casa pelas 19.00 e assume estas tarfeas finais do dia. Nesta altura a Clarinha atinge o climax da loucura e torna-se essencial uma operação especial de calmia. Enquanto o Quico trata do Jaime eu fecho-me com ela no quarto a dar-lhe de mamar e a acalmá-la. Por volta das 20.30 ela adormece e entra em slow motion durante cerca de 6 horinhas. Entretanto o Jaime janta e fica na sala connosco até mais ou menos às 21.00, hora a que damos início ao ritual de ir para a cama. Normalmente, pelas 21.30 estamos sentados à mesa a jantar!!!
Há dias melhores e outros piores, alturas em que tudo parece fácil e outras em que tudo parece impossível. Às vezes choram eles e choro eu, outras vezes rimo-nos todos alegremente, mas o balanço é MESMO POSITIVO!!! Estas duas criaturas que determinam os nossos dias e as nossas noites e que tomaram conta das nossas vidas são a melhor coisa que nos podia ter acontecido!!!!!
7 comentários:
Como eu te entendo, querida Maria!Chegam, vêem e vencem os nossos corações! Beijinhos
querida mary, revejo-me tanto nesse filme...tb em macau, ha 2 anos..remember?
força e um gd bjn.por aqui a luta tb continua!
...um bjn dos salgueiros!
Realmente eles são lindos e fantásticos, mas nós somos GRANDES!!! Muitos beijinhos para todos e muita força para ti Maria
Não sei porquê mas também me revejo nessas situações. E a parte de chorar como é verdadeira.
Mas é mesmo o melhor do Mundo são nossos e fazem nos tão FELIZES.
Já agora uma beijoca da Joana Prima
Enviar um comentário